Sexta-feira, 09.10.15

terra

Nesse livro de cores claras onde escreves a tua história de amor nunca pintei o meu nome.

Nem, tão pouco, desenhei o nosso futuro.

Sempre achei que no dia em que eu fosse furação, tu serias o céu que me acolhia. Afinal sempre foste chuva. Que cai como lágrima e, na terra, cai, seca e morre.

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publicado por Marina Ricardo às 22:03 | link do post | comentar | Adicionar aos Favoritos (1)
Segunda-feira, 07.09.15

porra

Desenterrei o coração para te amar. Pó e cinza e dor e medo em cima da mesa.

Fiz das tripas coração para te amar. E amei-te com as tripas, o pó, com os braços e mãos. Amei-te com o corpo todo e aos trambolhões.

Amei-te. Porra. Amei-te com os órgãos que não tinha, com o coração ferido, com a cabeça no lugar para ter concentração suficiente para te amar sempre.

Podes rogar-me pragas por causas tolas, por dores tuas. Nunca me podes maldizer por não te amar. Por não te amar com urgência e religião.

Amei-te- Amei-te, porra. Se não te tivesse amado não me tinhas na mão. Não me tinhas deixado sem chão.

Porra, porque é que te fui amar…

publicado por Marina Ricardo às 22:37 | link do post | comentar | Adicionar aos Favoritos (4)
Sexta-feira, 04.09.15

dia

Concordamos não fazer perguntas. Dizias que as minhas palavras enxiam os espaços que querias guardar dos meus silêncios.

Nunca fui mulher de estar calada. Mas, amava-te e isso deixava-me sem querer quebrar o encanto que dizias tirar dos meus silêncios.

Queria perguntar-te se me amavas. Queria perguntar-te tantas coisas. Fiquei calada porque te amava.

Não sei como chegamos ao dia em que não tenho nada para te perguntar. Aos dias em que o silêncio entre nós é morto e não mágico. A estes dias. A este dia.

 

publicado por Marina Ricardo às 01:40 | link do post | comentar | ver comentários (1) | Adicionar aos Favoritos (1)
Sexta-feira, 14.08.15

Indefinida.

Deixava sempre definir-se pelas coisas erradas.

Primeiro pelo trabalho. Depois a falta dele.

Pela família, ou a falta dela. Ou pela opinião dela.

Pelo cabelo. Pelo marido. Ou pela falta dele. Ou de ambos – ele e o cabelo dela.

 

Cortou o cabelo.

Saiu do trabalho.

Manteve-se solteira.

Divorciou-se das opiniões alheias.

Tapou os ouvidos e começou a ser ela: Indefinida.

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Quinta-feira, 11.06.15

perguntou ele #6

- O que tens? - perguntou ele poisando-lhe a mão no fundo das costas.

 

Não tenho nada. Acho que o problema é esse. Nem sei o que hei-de querer. Quero tudo. Mas, não sei como conseguir alguma coisa, quando mais conseguir tudo. Queria respirar melhor. Parece-me sempre que o ar é mais pesado para mim do que para os outros. Talvez seja. Nunca te vi a arfar enquanto corres. 

Estou cansada. Não me quero rir. E se eu me tornar essas pessoas com medo? Não me quero esforçar para ser feliz. Nunca vi ninguém fingir que é feliz. Isso não é vida, pois não?

 

- Não tenho nada... - respondeu ela, começando a andar muito depressa fazendo com que ele deixasse cair a mão ao lado do corpo.

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publicado por Marina Ricardo às 22:50 | link do post | comentar | ver comentários (1) | Adicionar aos Favoritos (2)
Terça-feira, 24.02.15

destroçados

Ele espera que ela se esqueça dos medos e volte para casa.

publicado por Marina Ricardo às 20:47 | link do post | comentar | ver comentários (1) | Adicionar aos Favoritos (2)
Quinta-feira, 12.02.15

és

És o som das palvras que calo. O vento por entre os passos que não dou.

O espaço livre da minha cama. o escuro no meu peito.

És a estrela cadente. O muro a meio do caminho.

És a diferança entre as partes que se somam enquanto eu me divido.

És a dor no corte da pele fina que rasgas com os dentes.

 És o tempo. O tempo que me mata de espera.

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publicado por Marina Ricardo às 23:00 | link do post | comentar | ver comentários (1) | Adicionar aos Favoritos (1)
Sexta-feira, 06.02.15

confusão

Nas marés em que me perco sinto as tuas ondas baterem-me nas faces. Não me acaricias. Gritas-me com o vento, gritas-me com a espuma das tuas horas.

Nesse mar onde nos perdemos, encontro-me. Só. Pelo menos não mais só do que quando o oceano era nosso.

Neste mergulho que me afoga mantenho a cabeça acima das águas e o coração a meus pés. Luto com a força que tenho e a que me levam à praia para não os perder - a cabeça e o coração.

Sou pobre de tudo, molhada das mágoas que me atiras à cara com essa força bruta de quem me mata sem me ver.

Mas, sob estas tempestades e tormentas vou sempre dar o litro de tudo o que conservo: coração e cabeça.

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publicado por Marina Ricardo às 22:27 | link do post | comentar | Adicionar aos Favoritos
Segunda-feira, 12.01.15

Amor, tinta permanente

Amor. Não mais queria escrever sobe amor. As suas ideias perdidas, os seus ardis perigosos. Aquela dor que não dói, ar que não se respira e fraqueja. O coração que passa de mão em mão. E cai. As palavras doces, o mel derramado. Os gritos, o prazer e o desgosto.

Poisou o lápis. Não mais queria escrever sobre amor. Não mais amor a lápis. Agora, decidira, era a caneta. Desamor vivido. Amor perdido, até alguém o tomar. E o escrever. A tinta permanente.

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Quinta-feira, 11.12.14

devagar

Queria pegar-te como flor. Colher-te, quem sabe. Fazer contigo um ramo pomposo para noiva sonhadora. 

Queria ter-te aqui. Deitado no regaço, amor a descansar.

Amar-te, quem sabe. Amar-te assim, amar-te devagar. 

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publicado por Marina Ricardo às 23:47 | link do post | comentar | ver comentários (1) | Adicionar aos Favoritos

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