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Verdade

por Marina Ricardo, em 03.11.22

 

Só não escrevi o que não quis sentir.

publicado às 00:50

Farol

por Marina Ricardo, em 28.10.22

Tem chovido a cântaros.
Rios alma afora.
Desmarquei os planos com medo que a enxurrada os levasse.
Fiquei encharcada e de agenda vazia.
Queria que o meu mar revolto amainasse. Que a maré fosse vaza.
Estou cansada de marés vivas e sem marinheiros.
O vento uiva. Sopra-me do coração.
Estou cansada da tempestade. De barcos á vela e de dilúvios quando ao peito não trago guarda chuva.

Fecho os olhos. Aconchego-me na cama fria e penso na chama quente que em tempos trazia ao peito. Farol.

publicado às 00:20

31

por Marina Ricardo, em 25.10.22

IMG_20221026_000809_429.jpg

Neste último ano às vezes, posso ter-me esquecido - sim, esqueci... - que a paz e a força vêem de mim. 

Também me posso ter atrapalhado com as espectativas e posso ter-me tentado, outra vez, pôr naquela estante onde não quero estar.

Mas, estou a aprender. A errar e a seguir.

Acho que estou feliz - e com bichinhos carpinteiro, como sempre. É sempre bom sinal.

publicado às 23:27

Legendas

por Marina Ricardo, em 27.09.22

Às vezes não me entendo e venho aqui ler-me á procura das minhas legendas.

publicado às 20:13

Principalmente

por Marina Ricardo, em 05.09.22

Tenho deixado a paixão morrer. Nos espaços vazios tenho posto sonhos novos, aldrabados e irreais.
Convenço-me que a minha paixão pode arrefecer. Que um dia a deixo em lume brando, ao fogão. Que não queima, não evapora.
Tenho deixado a paixão definhar e, com ela moribunda no regaço, sorrio e teimo em dizer que a tenho no bolso quente, amada e estanque.
Finjo acreditar que a adrenalina de estar vivo volta. Que a paixão também.
Tenho mentido muito. Aos outros. Principalmente a mim.

publicado às 09:10

Noite de verão. Alentejo. 2022

por Marina Ricardo, em 15.08.22

Desfruto o silêncio com a mesma devoção e amor com que procuro preenchê-lo.
Rejubilo e enlouqueço nas noites quentes e caladas em que, horizonte escuro como breu, espero que ninguém note que, aqui sozinha, não passo de mais uma pessoa só e calada, assustada e fascinada com o silêncio que aqui se faz.

publicado às 01:50

A sociedade, os órgãos de poder, tem que parar de projetar os seus medos e cresças na vida e na realidade dos outros.
As minhas decisões, na minha realidade, quase sempre privilegiada, não podem definir a vida e as escolhas dos outros.
Dar opção, dar escolha não pode ser sempre limitado pelo que os outros, pelo que eu, tão cheia de mim e de moralismo, acham aceitável.
Pelo eu faria se... A minha vida as minhas escolhas. A tua vida, as tuas escolhas.
E, hoje é mais um dia em que esta simples ideia não pode ser alcançada: A minha vida as minhas escolhas. A tua vida, as tuas escolhas.

publicado às 23:28

perguntou ele #18

por Marina Ricardo, em 10.06.22

- Mas, vais ficar aí muito tempo? - perguntou ele.
Tinha o telefone em altifalante. Estava a pintar as unhas. Escuro. Sempre de escuro.
Olha em redor. As palavras dele ainda ecoam no quarto pequeno e pouco decorado.
Os seus olhos pousam por momentos nas duas plantas, estranhamente felizes e verdes, pousadas sobre um monte de livros por arrumar, ao lado da janela ainda aberta.
Pinta a unha do dedo mindinho com alguma surpreendente previsão enquanto respira fundo.
- Comprei duas plantas no domingo passado.
A frase respondia à pergunta. Achava ela.
- Não precisas de mentir - não era uma acusação. Mas, fe-la pensar que ele, decerto, não tinha percebido a resposta.
- Não estou a mentir. Comprei mesmo duas plantas - faz uma pausa para fechar o frasco pequenino de verniz - e, sabes que tenho que ir até ao fim. Onde quer que isso seja. Estou a aprender a confiar no processo... O que quer que isso seja.
Ele respirou fundo.
- Ok. Amanhã ligo-te.
Desligou sem esperar que ela lhe dissesse mais alguma coisa.
Ele não ligou. Ela não esperava que ele o fizesse. E estava tudo bem. Fazia parte do caminho. E, agora ela confiava no processo - o que quer que isso fosse.

publicado às 01:51

Oceano

por Marina Ricardo, em 29.05.22

A felicidade, descobriu, nunca ia ser um estado permanente. Não havia feliz para sempre, nem sempre feliz.
A felicidade vem em ondas; às vezes passamos por elas, outras mergulhamos, outras caímos nelas e a água entra-nos pelo nariz - e ninguém é feliz com água, mesmo que água feliz, a entrar pelo nariz (rima e é verdade).
A felicidade mais do que um estado, era uma interpretação de uma aula de surf que ela nunca teve - surf sem prancha num mar sempre cheio de ondas.

publicado às 01:19

aos poucos

por Marina Ricardo, em 24.04.22

Respiro devagar. Há tanto barulho aqui. Não quero ser mais um suspiro numa sala cheia de ruído.
Em apneia, calo.
Não deixo que me oiças o silêncio. Bato, ao de leve, com os dedos na mesa entre nós. Não me prestas atenção. Não me tens visto a alma ultimamente. Tenho tido dias de muito desalme. Desalmada parece sempre mais fácil seguir em frente. Fingir que o que está para trás não nos está atado ao pé a cada passo que damos .
Não digo nada. Não esperas que eu fale. E eu espero, impaciente, o dia em que percebas que, em apneia e silêncios gritados espero. Espero. Espero que me perguntes se estou viva em vez de me deixares morrer aos poucos.

publicado às 00:29


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