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2021

por Marina Ricardo, em 03.01.22

Há muitos anos que escrevo um inventário do ano no seu último dia. Um balanço. Peso quase tudo. Relembro o bom e o mau, porque na realidade temos tendência a esquecer o assim assim.
2021 foi estranho. Quase perdi a minha família num dia quase perfeito. E, depois disso o tempo deixou de fazer sentido, e não sei muito bem como chegamos até aqui.
2021, se pensar bem foi um ano muito bom. Porque estamos cá todos. Mais amolgados, mas todos.
O meu trabalho mudou muito. E eu também. Fiz 30 anos. Fui muito feliz, e outras vezes nem por isso.
Idealizei muita coisa que não aconteceu. E tenho vindo sempre a tentar lembrar-me de parar de idealizar belas expectativas que, por norma, só tornam tudo mais difícil.
Tive que relativizar muito e a ouvir-me.
Dormi num hotel de 5 estrelas, mas também fiquei muito tempo sem dormir.
Fui a Lisboa e trouxe uma paz desconhecida. Como se a minha vontade de tudo acalmasse.
Chego ao novo ano muito serena. Numa calma inédita para uma inquieta nata.
Chego também ciente que a força e a paz vêem de mim e não do mundo. Posso esquecer-me amanhã, por isso fica aqui escrito: Marina, you got this.

Feliz Ano Novo!

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publicado às 16:55

Contagem crescente

por Marina Ricardo, em 02.12.21

Quero fazer uma ou duas tatuagens. Três ou quatro loucuras.
Sair e não voltar quando peço para me esperarem.
Fingir que não me importo. Chorar por dentro e rir a gargalha por fora. Quero ter coragem quatro ou cinco dias. Para tropeçar seis ou sete vezes sem nunca achar que caí

publicado às 01:14

Lá fora

por Marina Ricardo, em 01.12.21

Deixa-me dormir no teu colo.
Eu levo o cobertor. Traz só o regaço e tempo para me amares.
Eu levo o relógio. Pelo sim, pelo não. Quando for hora de acordar, como quem para o tempo, paramos o relógio e o mundo segue fora do teu colo e do meu sonho.

publicado às 22:12

Lado nenhum

por Marina Ricardo, em 30.11.21

Tenho o corpo frio e a cabeça quente. As mãos geladas aguardam, vazias, o passar do tempo.
As folhas dançam com o vento e eu balanço os pés a procura de força.
Para andar. Para sair. Para ficar.
Para ir a procura.
As folhas beijam-se umas às outras, às turras e aos atropelos. Algumas tocam-me na pele desnuda e arrepiada. Não são, porém, beijos que me roubam, naquela rua ventosa. Beliscam-me a mão. Uivam, secas, nos meus ouvidos como quem me pergunta quando e porquê.
O tempo passa devegar e as horas passam depressa.
E, eu não passo, porque os pés frios não me levam mais além. Nem a lado nenhum.

publicado às 23:07

30

por Marina Ricardo, em 25.10.21

A minha vida não se aparece nada com o que achei, um dia, que ela seria. Passei muito tempo dos 20 a tentar encaixar-me num molde que não me servia. A desiludir-me porque nunca cabia dentro das minhas espectativas. Tornei tudo muito mais difícil. Fechei muitas portas. E fechei-me a muitas pessoas. Não podemos ser muito para os outros, se não formos nada para nós. Custou, mas aprendi.
Os 20's foram muito mais difíceis do que deviam, porque eu os fiz difíceis.
Foi preciso muita força para derrubar as barreiras e deitar por terra as ideias pré feitas e sonhar sonhos novos. Estabelecer novas metas, fazer novas amizades e fazer-me disponível para viver e para amar. Chegar a mim.
Envelhecer está a ser o melhor que me podia acontecer. Conhecer-me. Aprender a amar-me. Cair muitas vezes de cabeça. Ser cabeça dura. Ter o coração na boca, e a boca no mundo. Fazer as pazes com a vida que nunca vou ter, que nunca existiu. Perceber quais são os defeitos e as qualidades que sustentam a minha casa.
Entro hoje nos 30. A minha vida não se parece nada com o que achei que ela seria. E, isto é a maior e melhor descoberta que fiz até hoje; a vida só é boa assim: inesperada e inquieta para ser vivida.

publicado às 01:30

azar

por Marina Ricardo, em 15.10.21

Trago um frasco de lágrimas por chorar debaixo do braço. Trago também, ao peito, os amores que deixei morrer, mas, não soube largar.
Trago tudo o que não engulo, nem mastigo, ao colo na esperança de o digerir sem lhe sentir o sabor amargo na boca.
Trago-te no coração, não dentro, á porta. Sei que o nosso amor já defenhou, mas só te hei-de carpir no dia, em que, por azar, deixar cair o pote e tiver que seguir de braços vazios e olhos molhados.

publicado às 02:41

Batismo

por Marina Ricardo, em 30.09.21

Sacudo os pés à entrada. Pouso a chave de casa na mesinha agora poeirenta. Ponho o coração no bolso. Fecho os olhos ao de leve, enquanto respiro fundo. É mais fácil assim.
As tuas malas estão atrás da porta. A tua presença debaixo do tapete. O teu nome dança com as partículas de pó que sacudi da sola dos sapatos novos.
A casa está vazia. O silêncio grita.
O meu coração, agora guardado, agita-se na algibeira.
Podia dizer que me chamo saudade. Mas, a verdade é que me batizaram, em segredo, solidão.

publicado às 22:52

Duplicado

por Marina Ricardo, em 05.09.21

Escrever é viver duas vezes.

Escrever é, também, morrer duas vezes.

Na tentativa de não fazer nenhuma das duas, calei-me.

publicado às 21:18

A cidade ainda dorme

por Marina Ricardo, em 10.08.21

A cidade ainda dorme. Tudo parece mais fácil assim, estático. Quieto como numa pintura.
O café está morno. O tempo também.
De mãos geladas agarro com demasiada força a chávena quase fria - como eu.
Imagino-te. Não me pareces acordado. Nunca foste muito de manhãs.
Os teus movimentos serão tão automáticos como os meus? Não devem ser.
As olheiras cheias de sonhos por dormir adornam-me a face lavada de lágrimas que não te chorei - ainda.
Neste filme que protagonizo sozinha, amo-te sempre sem sabermos - os dois.

publicado às 01:18

apaixonada

por Marina Ricardo, em 23.07.21

E aqui sigo, sozinha, embalada na música que podia ter sido nossa, apaixonada pela história de amor que não tivemos.

publicado às 23:22


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