Quinta-feira, 28.11.13

Para a Vera

Nunca fiz assim nada de muito especial. Trabalho, ajudo no que posso, faço das tripas coração por tudo e por nada e, de vez em quando, quando a inspiração mo permite, escrevo.

Tenho muitos sonhos amalucados, vontades estranhas e gostos sui generis. Não gosto de me encarar como mais uma, mas, a verdade é que não sou assim nada de especial. Sou especial à minha meneira, porém não sou em pedaço de mau caminha na especialidade. 

Por isso, às vezes pergunto-me, como é que as pessoas podem de facto gostar de mim. Não, não sou daquele tipo que espera palavras bonitas, porque eu própria não as digo - jamais me vão ouvir chamar querida ou fofa a alguém no meio de um discurso (a não ser que esteja a ser irónica).

Não dou muitos beijinhos, rio-me muito alto, é possível que tenha borbulhas e as unhas mal pintadas. Sou uma confusão que gera confusão.

Por isso, não posso deixar de ficar surpreendia quando me fazem provas de amor.

Uma das coisas que aprendi aqui no blog é que o amor pode ser demostrado de muitas formas, e que, por estas bandas, o amor é mesmo cego, na medida em que nos preocupamos uns com os outros sem, de facto, nos conhecermos. Amor cego e inocente. Amamos as pessoas pelo que elas escrevem, como elas se espoem por letras (devo adiantar, que esta deve ser das formas mais bonitas de se amar). Vai daí, enviamos beijinhos e abraços dentro de envelopes ou por comentários.

No início, aqui o mentiras não era destinado a fazer amizades (ou seria?), e, sinceramente, nunca esperei proximidade com nenhum de vocês. Mas, dias atrás de dias, textos atrás de textos, cometários e emails depois, certo é que nos fomos apaixonando uns pelos outros, fomos torcendo uns pelos outros. Amizades despretensiosas, verdadeiras, misteriosas e completamente malucas.

Sem perceber bem porquê, estabeleci uma relação assim com a Vera. A Vera é assim mais ou menos como eu - uma confusão cheia de confusões. Trabalhamos as duas em coisas completamente fora de contexto, e juntamos dinheiro para coisas que um dia nos faram felizes. Sei, com toda a certeza que ela é mais corajosa que eu. Ou melhor, eu já fui corajosa como ela, mas acobardei-me e ela não (dêem-me tento que eu volto a acordar).

Nunca vi a Vera, e a Vera nunca me viu a mim. Ela acha-me parecida com a Kristen e eu acho que ela é uma Diva gira que farta. Gosto muito dela, mesmo não sabendo nada dela.

A Vera surpreende-me todos os dias - em especial nos dias em que, depois de se apoderar ilegalmente da minha morada, me envia prendas.

Por isso, hoje, em vez de a repreender por gastar dinheiro comigo, vou chamar-lhe querida e fofa e dar-lhe beijinhos e abraços – Vera só faço isto por ti!

Obrigada, obrigada, obrigada!  

 

(E, não é que ela me conhece mesmo BEM?)

publicado por Marina Ricardo às 16:17 | link do post | comentar | ver comentários (2) | Adicionar aos Favoritos

meias esburacadas

Viajava na mão dele. De lá para cá, nesse dá e larga que é o amor.

Dançava-lhe entre os dedos, enquanto tentava acompanhar-lhe a música do coração.

Agarrava-se a ele como se o mundo dela disso dependesse - dele. E dependia.

Queria tanto ser tanto dele como o tinha como dela. Queria-o tanto que o amor lhe parecia pequeno para o descrever. Queria-o tanto que doía, que magoava, tanto querer.

Queria ama-lo, chora-lo, tê-lo, tudo na mesma frase, sem virgulas ou pontos finais. Tudo sem parar. Em repetição.

Queria-o tanto. Tanto. Que se esqueceu de se querer. Esqueceu de se amar por amor a ele.

Não sabia ela que para o amar, tinha de se amar, amar os defeitos e as meias rotas. E ela nunca percebeu porque usava meias esburacadas... mas, veio a saber que lhe ficariam bem com o coração partido que ele, um dia, lhe deixara.

 

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publicado por Marina Ricardo às 01:27 | link do post | comentar | Adicionar aos Favoritos (2)

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