Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Jornalismo - outra vez

por Marina Ricardo, em 07.02.14

Hoje estávamos a almoçar, com a televisão como barulho de fundo, quando soltei a frase “o jornalismo deprime-me”.

A minha mãe, sentada a meu lado, sabendo bem a filha que fez nascer, arregalou-me os olhos. Ela sabe que tenho sempre opinião sobre tudo, mas, igualmente sabe o amor que eu tenho pela área que estudei.

Porém, eu não estava a mentir: o jornalismo atual deprime-me.

Tenho uma paixão pelo jornalismo. Coisa antiga que nem sei bem como nasceu. Se calhar nem nasceu, nasci eu e a coisa deu-se.

Já amava, sem saber, as letras, quando, um dia, percebi que era a rádio que me fazia suspirar. Quis tanto ser boa em rádio, que na primeira vez que experimentei, senti tantas borboletas no estômago que pensei que não era capaz. Mas, fui. E era boa no que fazia.

Amei cada segundo em que, noite adentro, estive na rádio – aquele espaço maravilho e quentinho que tantas coisas me ensinou. Da mesma forma que hoje guardo com saudade todas as noites que passei em claro a escrever noticias, a editar peças, a magicar guiões de programas, a pesquisar informações para entrevistas. Ao fim de algum tempo, as coisas saiam de mim de forma natural e eu sabia que era amor.

Esta narração pseudo-romântica é bonita, mas, já não me aquece os dias – aquece-me a memória e nada mais.

Na universidade estudei muito o passado do jornalismo, como nasceu, como cresceu, de que forma deu os primeiros passos. Lembro-me também, de nos ensinarem que o jornalismo assume a função de quarto poder. Na altura, não dei grande valor a nenhuma destas matérias. Estudei-as, debitei-as, nada mais. Não me apercebi que, de facto, o jornalismo tem poder. Real.

Assusta-me olhar para a televisão e ver noticia completamente destruturadas, coisas sem pés nem cabeça, casos sérios, tratados da forma mais irresponsável e leviana possível. Escava-se a carne de quem sangra – em direto, na tv. Nos jornais fazem-se capas de bradar aos céus, quais revistas cor-de-rosa (nem vamos enveredar por esse caminho…).

E, depois não se estuda como se deve, não se faz o trabalho de casa. Dá-se opinião. Ou, então censura-se. Usurpa-se informação e apimenta-se a coisa. Vende mais. Rende mais.

E, depois é difícil lá entrar quando o nosso pai é Sr. e não Dr., e quando somos pobres e regime de voluntariado não enche barriga (procura-se jornalista em regime de voluntariado para estágio não remunera de, no mínimo seis meses. OK.).

Sinto o cheiro a dinheiro alheio, a luta por audiências, a manipulação sempre que olho para a televisão. No carro, a caminho do trabalho, desligo o rádio, e ligo o telemóvel em alta voz, naquela música reconfortante, ao som da qual chorei no outro dia – mais vale; pelo tempo da viagem só ouvia publicidade.

O jornalismo, os donos do jornalismo, estão a matar o sonho que sonhei. O sonho que outros antes de mim, sonharam. O jornalismo deprime-me. O coitado não tem culpa – tem maus pais e ninguém pode escolher a família onde nasce.

 

(aquele tempo em que eramos jornalista felizes)

 

publicado às 23:57

Estou como a outra

por Marina Ricardo, em 07.02.14

Este ano também quero uma mala Chanel.

 

publicado às 19:00


Mais sobre mim

foto do autor


Calendário

Fevereiro 2014

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
232425262728

Fotografias que vou instagramando




Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2023
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2022
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2021
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2020
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2019
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2018
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2017
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2016
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2015
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2014
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2013
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2012
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2011
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.