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Igualdade Feminista

por Marina Ricardo, em 24.09.14

Quando eu tinha seis anos um colega de turma deu-me uma flor. Apanhou uma rosa do recreio e deu-ma. Brincávamos juntos muitas vezes. Corríamos em voltas intermináveis e em redor das salas enquanto bebíamos leite com chocolate.

No dia em que me deu a flor, o meu companheiro de corridas, foi gozado e, depois de corar até á raiz dos cabelos, deixou de correr comigo.

Aos sete quis jogar futebol com os rapazes. Mas, como era rapariga, não podia. Como não percebia o porquê, decidi jogar na mesma, invadindo o campo. Corri durante uma hora atrás de uma bola, que nunca veio aos meus pés. Era rapariga.

Quando tinha dez anos, na escola, perto da sala de aulas tínhamos um banco de pedra. As raparigas queriam o banco para se sentarem. Os rapazes queriam o banco para que servisse de baliza para os seus jogos de futebol.

Quando nos unimos, nós raparigas, para usarmos o banco para o seu efeito, ou seja para nos sentarmos, fomos chamadas de movimento feminista. Nãos nos chamaram feministas com ar leve e sorriso no rosto. Foi com ar de gozo. Ou então, semblante carregado.

Á medida que fui crescendo, fui ouvindo muitos “bffffffffffff”. Muitos bufos, muitos suspiros. Muitos “Que mandona”. Como se por ser mulher, tivesse que mandar menos. Tivesse que ouvir sempre, falar nunca.

Agora, na minha vida mais ou menos adulta, vi colegas de trabalho serem destituídas das suas funções porque tiveram filhos. Ou então privadas de certos privilégios, que eram seus antes de serem mães. Vi mulheres grávidas serem despedidas. Oh, perdão, não foram despedidas, foram politicamente convidadas a sair da empesa.

Nunca vi um homem perder os seus privilégios por ser pai. Nunca vi um homem ser chamado de prostituto por ter uma namorada, ou duas, ou três. Homem com muitas mulheres é bom. Mulher com muitos homens dança no varão.

Nunca vi um homem de burca. Nunca vi um homem ser expulso de casa por engravidar uma mulher. Um homem pode sair com amigos. Um homem pode sair com amigas. Já uma mulher…

Somos educados de forma diferente. Homens e mulheres. Ambos tememos a igualdade. Ambos os géneros temem o que desconhecem. As mulheres nascem submissas. Os homens fortes. As mulheres nascem frágeis. Os homens nascem machos. Mas, o que nos esquecemos é que nascemos todos iguais. Todos feministas. Todos capazes de jogar futebol, de dar flores, de ser fortes e frágeis. Nascemos todos iguais. Depois, depois não temos coragem para manter a igualdade.

Mas, queremos. Estamos a ganhar essa consciência. O meu coração bate mais depressa quando vejo videos como o que segue abaixo. Um dia vamos mudar o mundo. Um dia.

 

publicado às 23:47

sempre

por Marina Ricardo, em 24.09.14

Perante a morte fico sempre muda. Quieta. Fria. De olhos molhados.

Com a morte ficamos mais conscientes. Mais assustados. Com medo. A morte assusta.

Quando alguém morre morremos sempre um bocadinho. E renascemos também.

Hoje fiquei com um mais de medo. A morte assusta e cala. Cala sempre.

publicado às 15:27


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