Mulher

Descendo de uma linhagem de mulheres fortes. Que desafiaram padrões e foram á luta.
A minha bisavó era mãe solteira por opção. A minha avó casou grávida. Ambas trabalharam e criaram os filhos. Levaram a vida aos empurrões e foram donas dos seus destinos.
Sou a terceira de uma geração de mulheres fortes, de pulso. Sensíveis e muitas vezes vítimas nas mãos de homens que não souberam lidar com o seu brilho.
Tenho muito orgulho das minhas mulheres. Amigas, mães, avós e irmãs. Daquelas que passo na rua e me sorriem. Que percebem o que lhes digo com os olhos.
O mundo ainda precisa de evoluir muito para perceber que as asas das mulheres são tão livres quanto as dos homens. Que somos diferentes e únicas. E, que não estamos menstruadas, estamos mesmo fodid*s. E, que as nossas pernas ao léu não pedem que mãos alheias lhes toquem. Nem a nossa liberdade é libertinagem. E, que não, não queremos ouvir piropos, nem o nosso andar é provocante.
E sim, fazemos o mesmo trabalho que os homens. E sim, continuamos a ganhar menos.
Este ano, continuam a morrer demasiadas mulheres ás mãos dos homens que não o sabem ser.
O dia mundial da mulher faz sentido. Todo o sentido. E, era tão bom que deixasse de fazer.

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publicado por Marina Ricardo às 22:15 | link do post | comentar | Adicionar aos Favoritos (1)