Ainda não

Quis pinta-la porque as cores lhe sabiam bem ao sol. Assim, tomadas aos raios do entardecer, assim com a brisa rebelde vinda do mar.

Agitavam-se-lhe os cabelos e as cores expoliam-lhe nas veias, pelos poros, em redor do coração.

Presa a preto e branco, queria pintar tudo o que os olhos viam. Só não sabia como pintar o que estava por detrás dos olhos.

Queria pintar a alma, mas ainda não sabia o caminho. Ainda não. Ainda não. 

 

publicado por Marina Ricardo às 00:00 | link do post | comentar | Adicionar aos Favoritos (1)