Verdades e Mentiras

- Talvez um dia pare de te contar mentiras. – disse ele em tom solene, passando a mão pela suave face dela.

- E o que faremos nesse tempo? – ela parecia alarmada.

- Ora, falar-te-ei em verdades, coisas francas e sentidas.

- Hum… - anuiu delicadamente com a cabeça. – E serão bonitas, essas coisas que me dirás?

- Nem sempre, minha amada, nem sempre. A verdade nem sempre é bela ou simples – lamentou ele. Os seus olhos escureceram perante a hipótese de verdade.

- Então não quero mais verdades. Mente-me, querido. Mente-me sempre que possas. Não quero que as coisas francas e sentidas perturbem a beleza dos meus dias contigo. Por isso, conta-me uma mentira feliz, sempre que possas.

- Tens a certeza que é isso que queres? – a confusão tomara conta do rosto rude dele.

- Sim. É isso que desejo. – ela sorria, qual menina em dia de festa.

Selaram esta promessa com um beijo.

E assim viveram felizes para sempre, rodeados de mentira, unidos pela única verdade que conheciam – a seu eterno amor.

 

publicado por Marina Ricardo às 00:07 | link do post | comentar | Adicionar aos Favoritos