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Verde esperança

por Marina Ricardo, em 24.07.23

Hoje pintei os olhos de verde.

Precisarei de ver mais esperança.

publicado às 22:25

Se me temes

por Marina Ricardo, em 24.07.23

Não me faças querer menos e achar que sou demais.
Não me digas que sou de extremos, se nunca me viste o início e os fins.
Não me faças duvidar das certezas, tão poucas e tão ténues, que tenho vindo a colecionar.
Não me queiras com medo de sentir. De abrir a caixa de Pandora. De querer a lua e achar o céu perto demais.
Não me queiras pequena, porque não quero recear da grandeza.
Não me queiras, se me temes ter por inteiro.

publicado às 20:35

Não digas a ninguém

por Marina Ricardo, em 14.07.23

Tenho medo de te escrever. De te rodear de letras e pontuações. De rimas mais ou menos imperfeitas. 

Tenho medo de te dar nome, cor e forma. 

Se te mantiver no escuro, longe de abecedários, não há significado que te possa atribuir.

Se te escrevo. Sinto-te. Faço de ti dicionário de palavras que, sem ti, ainda não descobri o significado.

publicado às 13:49

Tic tac

por Marina Ricardo, em 30.06.23

Chegaste fora de horas. Adiantado, presumo, como se fosse permitido vires sem avisar.
Não te perguntei as horas. Nem vi as minhas. Vamos fingir que não temos relógio.
Vamos fazer de conta que não temos que estar em algum lado daqui a uns minutos, que podemos ficar aqui e pôr o resto em pausa.
Ainda te lembras de que horas eram quando aqui chegamos?
Chegaste fora de horas. Atrasado, presumo, como se fosse permitido vires sem avisar.
Não me perguntaste as horas. Nem olhaste para o relógio da parede.
Olhas-me nos olhos. Ignoraste os ponteiros ritmados. E o tic tac do meu coração.
Sabes, não há tempo a perder. Já me perdi no tempo que ditaste quando me entraste pela porta adentro.

publicado às 23:22

Luto

por Marina Ricardo, em 23.06.23

Perdi-te ontem. Perdi-te hoje de manhã e agora mesmo.

Percebi, agora, finalmente: perco-te a cada minuto em que não me dás a mão. E já são tantos, tantos os segundos em que te perco. E, em que não te quero perder mais. 

publicado às 01:43

Novembro

por Marina Ricardo, em 23.06.23

As palavras saem me cansadas e doridas.

Como se, destreinada de as escrever, soassem mal saídas da minha boca.

Gretam-me os lábios e cortam -me a língua. Enrolam -se umas nas outras e, em frases longas e sem pontuação, magoam me sempre de dentro para fora. Castigam me por que sabem que, em mim, nasceram para serem escritas e não ditas. Eternas no papel e não finitas sacudidas pelo vento que nesta tarde de novembro me açoita a face.

publicado às 01:40

Cinzas

por Marina Ricardo, em 04.04.23

Gostas de ver o fogo a arder. Chamas altas. Pavio curto.
A vela nunca se apaga, mas carregas os bolsos cheios de cinzas.

publicado às 19:35

noite estrelada

por Marina Ricardo, em 08.03.23

As sardas desenham constelações nas tuas bochechas. Universos inteiros
de estrelas cadentes dançam , na tua cara quando te ris à gargalhada.
E, eu, comum mundano, vivo impaciente, enquanto, de mãos trémulas, tento alcançar a via láctea que te rola dos olhos sempre que choras quase sem te dares conta, nestas noites de fevereiro.
O tempo arrefece. As supernovas explodem. Novos planetas dançam com os anéis dos teus dedos.
E eu estou a anos luz de te apanhar, noite estrelada.

publicado às 21:58

30/11

por Marina Ricardo, em 09.02.23

Inquietação. Insónia.
Ardor, não no corpo, na alma.
A cabeça queima, não a testa. A febre nasce-me do peito. Coração acelerado, que quer ter sempre razão.
Há dias em que me dói o ser. Ser.
Cansam-me as pessoas que sou, que me torno, em torno dos problemas.
Hoje acordei convencida de que posso pôr o mundo no bolso e seguir pelo caminho que a febre, em delírio, me fizer escolher.

publicado às 14:53

Verdade

por Marina Ricardo, em 03.11.22

 

Só não escrevi o que não quis sentir.

publicado às 00:50


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