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Saio

por Marina Ricardo, em 03.06.14

Circulo por esse espaço vazio ouvindo o eco dos meus passos.

Nada mais ali há. Só eu e o eco. E passos. Em frente. Ora para um lado ora para outro.

Caminho nesse espaço vazio - entre nós. Natureza morta na sola dos sapatos. Ervas daninhas tocam-me os tornozelos. Calco-as.

Não te vejo ao longe, quanto mais te imagino neste espaço onde estou.

Ando em direção oposta desse fuso horário pelo que esses teus dias se regem. Ainda bem. Nunca fui boa de horas. Ou de esperas. Ou de silêncios. Muito menos de passos em espaços vazios onde não estás.

 

publicado às 16:27

...

por Marina Ricardo, em 17.05.14

Nessa estação de caminho-de-ferro que temos ao peito há sempre quem apanhe o próximo comboio rumo ao desconhecido. Outros porém, deixam-se ficar pelos bancos frios e sujos, escritos a tinta gasta pelo tempo e pelos amores, a dormitar. 

E nós, donos dessa garagem de maquinaria movida ora a carvão, ora à velocidade a da luz, pouco argumentamos sobre quem entra e sai dessa estação a quem chamaram coração.

Atrasamos destinos para ficarmos pertinho de quem nos dá a mão nas noites escuras, em que, sem remédio, perdemos o comboio. Outras vezes, porém, queremos que chegue rápido o próximo apeadeiro para vermos sair aqueles que, um dia nos juram companhia, mas que apenas respiraram o ar poluído da nossa estação.

Mas, o que mais nos dói é ver os que amamos partir. Ver, aqueles que juram esperar, connosco, por aquele comboio que nos levaria juntos a uma paragem qualquer. Ou então que nos levaria separados, cada um a seu tempo, com tempo, nesse tempo onde, no final da viagem, nos encontraríamos no ponto de chegada. Esses levam-nos o coração, e molham-nos a estação com lágrimas que não queremos chorar. Esses cortam-nos o corpo, ao mesmo tempo que nos dilaceram a alma, deixando uma sombra de mágoa e dor onde antes havia amor. Amor. Amor…

 

publicado às 23:00

Salão vazio

por Marina Ricardo, em 07.05.14

Há um salão vazio no nosso coração. Como se ali tivessem terminado uma festa e a música tivesse acabado e todos os que saíram levassem uma cadeira. Ou duas.

Ainda há confettis no chão, mas nada mais. Nada.

Fecharam a grande sala, e fecharam a porta da frente. A música já não se ouve e até a aparelhagem desapareceu. Talvez nos tenham roubado.

Continuamos sem perceber como nos mutilaram aquele pedaço de coração - porque nos levaram aquela parte que ali tanta falta faz.

É como se ainda ali estivesse, mas todos sabemos que se foi - prova disso é o silêncio que ali se faz sentir.

Ficamos mais frios, mais calados.  Não sempre. Mas, às vezes, quando o sangue por ali passa ouvimos-lhe o eco choroso de quem perdeu. E aí choramos. De olhos abertos. De coração parcialmente amputado. Vazios.

 

publicado às 17:07

Café

por Marina Ricardo, em 18.04.14

Fechasse ela os olhos e veria mundo. De pálpebras levantadas não vê como deve. Os olhos perdem-se, os pensamentos confundem-se.

Suspirou.

Bebeu mais um gole do amargo café e desejou que as insónias. Olhos abertos em mente cansada.

Ou, então, que nunca adormecesse ou, melhor, que não se deixasse dormir - nunca. Não mais. Outra vez.

Um sabor amargo – café? – tomou-lhe e boca, descendo, depois, peito abaixo. Coração.

 

publicado às 13:00

corações alheios

por Marina Ricardo, em 05.02.14
Há pessoas que tocam a vida dos outros. E é disso que toda a vida se forma.
Há pessoas que tocam a vida das pessoas, nesse processo injusto de dar e receber. E toda a vida se move em redor das pessoas que nos tocaram a pele e das que fogem depois de nos acariciarem o cabelo. E de quem queriamos que nos desse a mão naquele dia em que o vento soprava mais revolto.
Há pessoas que se atam ao nosso coração e outras que levantam a âncora, soltam amarras e vão caçar outros corações solitários.
Casamos com os primeiros, sonhamos com os segundos; os segundos matam-nos as poucos, os segundos vivem-nos.
Há pessoas que tocam a vida dos outros. Há pessoas que vêm para ficar, outras que têm o tempo contado. Cabe a cada um fazer o tempo contar e tocar a vida de todas as pessoas que tocam corações alheios, quer seja para ficar ou para deixar saudade.

publicado às 00:00

coração.

por Marina Ricardo, em 22.01.14

E, então, sentes-lhe o bater e sabes que tens uma bomba relógio ao peito.

publicado às 17:27

corações

por Marina Ricardo, em 08.12.13

Quando ela nasceu, pequenina assim, tão pouco maior que um ou dois palmos das minhas mãos de criança, o meu coração cresceu.

Eu, criança também, desconhecedora de corações, não sabia que aquele órgão vermelhinho que adornava algumas das minhas camisolas de menina, aumentava e crescia a ritmo acelerado.

Há 15 anos o meu coração cresceu para alojar o bebé mais bonito que já vi. Há 15 anos que o meu coração não para de crescer para alojar a melhor pessoa que já conheci.

Parabéns mana!  



publicado às 16:00

Para a Vera

por Marina Ricardo, em 28.11.13

Nunca fiz assim nada de muito especial. Trabalho, ajudo no que posso, faço das tripas coração por tudo e por nada e, de vez em quando, quando a inspiração mo permite, escrevo.

Tenho muitos sonhos amalucados, vontades estranhas e gostos sui generis. Não gosto de me encarar como mais uma, mas, a verdade é que não sou assim nada de especial. Sou especial à minha meneira, porém não sou em pedaço de mau caminha na especialidade. 

Por isso, às vezes pergunto-me, como é que as pessoas podem de facto gostar de mim. Não, não sou daquele tipo que espera palavras bonitas, porque eu própria não as digo - jamais me vão ouvir chamar querida ou fofa a alguém no meio de um discurso (a não ser que esteja a ser irónica).

Não dou muitos beijinhos, rio-me muito alto, é possível que tenha borbulhas e as unhas mal pintadas. Sou uma confusão que gera confusão.

Por isso, não posso deixar de ficar surpreendia quando me fazem provas de amor.

Uma das coisas que aprendi aqui no blog é que o amor pode ser demostrado de muitas formas, e que, por estas bandas, o amor é mesmo cego, na medida em que nos preocupamos uns com os outros sem, de facto, nos conhecermos. Amor cego e inocente. Amamos as pessoas pelo que elas escrevem, como elas se espoem por letras (devo adiantar, que esta deve ser das formas mais bonitas de se amar). Vai daí, enviamos beijinhos e abraços dentro de envelopes ou por comentários.

No início, aqui o mentiras não era destinado a fazer amizades (ou seria?), e, sinceramente, nunca esperei proximidade com nenhum de vocês. Mas, dias atrás de dias, textos atrás de textos, cometários e emails depois, certo é que nos fomos apaixonando uns pelos outros, fomos torcendo uns pelos outros. Amizades despretensiosas, verdadeiras, misteriosas e completamente malucas.

Sem perceber bem porquê, estabeleci uma relação assim com a Vera. A Vera é assim mais ou menos como eu - uma confusão cheia de confusões. Trabalhamos as duas em coisas completamente fora de contexto, e juntamos dinheiro para coisas que um dia nos faram felizes. Sei, com toda a certeza que ela é mais corajosa que eu. Ou melhor, eu já fui corajosa como ela, mas acobardei-me e ela não (dêem-me tento que eu volto a acordar).

Nunca vi a Vera, e a Vera nunca me viu a mim. Ela acha-me parecida com a Kristen e eu acho que ela é uma Diva gira que farta. Gosto muito dela, mesmo não sabendo nada dela.

A Vera surpreende-me todos os dias - em especial nos dias em que, depois de se apoderar ilegalmente da minha morada, me envia prendas.

Por isso, hoje, em vez de a repreender por gastar dinheiro comigo, vou chamar-lhe querida e fofa e dar-lhe beijinhos e abraços – Vera só faço isto por ti!

Obrigada, obrigada, obrigada!  

 

(E, não é que ela me conhece mesmo BEM?)

publicado às 16:17

silêncio

por Marina Ricardo, em 21.11.13

Tocava-lhe o coração leve como pena, leve como beijo no rosto em manhã de chuva.

Tocava-lhe. Sentia-a debaixo dos dedos movidos a saudade e vontade de lhe decorar todos os recantos, todas as linhas e entrelinhas. 

Queria grava-la nas impressões digitais, ser dela e não ele - o nós sempre lhe soara tão melhor.

Tocava-lhe como quem toca uma ausência, com a ânsia de quem tem medo de perder. Gostava ele de a sabe de cor antes dela, composta a sonhos e areia movediça, acordasse, e de olhos ensonados lhe dissesse "bom dia".

O novo dia levava-a sempre para ela, longe dele - mesmo que o dia fosse bom dia.

Então, antes da manhã raiar, tocava-lhe a pele suave, devagar, como quem sussurra um "amo-te" em silêncio.

 

(Like Crazy)

publicado às 01:27

de forma e sentido

por Marina Ricardo, em 15.11.13

Tenho uma pedra no peito. Um aglomerado compacto de areias polido e limado, mas uma pedra.

Tenho um coração duro e disforme que me bate descompassado no peito.

É forte e quebradiço. Feio e enorme. 

É assim como eu - complexo de forma e sentido. Assim, um pássaro sem asas, um desejo sem medo.

 

publicado às 19:00


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