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"E pronto, acabou-se", resume um bocadinho o sentimento se a frase for seguida de um profundo suspiro. Tenho pena que esta fase tenha acabado- tenho de facto.

Sei que muitos de vocês devem ter pensado que para alguém que se matou a estudar (como eu matei, sem arrependimentos), trabalhar num supermercado foi de certo modo redutor. Porém posso afirmar-vos que, muito pelo contrário, foi engrandecedor.

Como já por aqui disse, este período, serviu em muito para uma nova mentalidade se instalar em mim - sinto-me mais confiante, mais aberta a novas experiências. Sinto-me melhor comigo e com os outros. Vi-me em situações novas, com pessoas novas, um trapézio sem rede - literalmente. Tiraram-me o papel e a caneta, as notícias e deram-me comida para vender. Comida, uma caixa registadora e clientes de todas as idades e feitios.

Estar fora da minha zona de conforto fez-me perceber de que fora dela sou capaz de muito mais do que imaginava (que se lixe o conforto, que vá passear a zona!).

Espero voltar, em breve - espero mesmo. Sempre gostei de supermercados, foram forma de terapia e aconchego, durante 3 anos, em Vila Real: lembravam a família que estava longe.

Se não voltar, melhores e diferentes coisas me esperam. E que eu continue sempre a aprender. Sempre.



publicado às 23:37

Pelo sim, pelo não....

por Marina Ricardo, em 21.12.12

Se morrermos todos hoje (posso ir trabalhar e não voltar vá-se-lá-saber!!) tenho apenas a declarar que foi um prazer imenso ter-vos a todos por estas bandas! 

Vemo-nos no outro mundo!

 

publicado às 14:47

Vamos chamar-lhe relógio biológico

por Marina Ricardo, em 18.12.12

Desde que comecei a trabalhar num supermercado que estou rodeada de crianças. Ora anjinhos caídos do céu, ora amostras de gente possuída pela capeta (diga-se de passagem que na maior parte das birras os pais têm uma dose elevada de culpa.)

A minha prima teve uma bebé e uma amiga da minha irmã um sobrinho. E muitos conhecidos começaram a decidir ter bebés, para além de muitas colegas de meu (por enquanto) trabalho terem filhos adoráveis.

E se era certo que eu queria procriar - ter um bando de ranhosos a chamar-me mãe e a gritar a plenos pulmões, a coisa agora intensificou-se.

A minha melhor amiga diz que eu, um dia, darei uma boa mãe (ela também, isso é certo!), e, para ser franca, já tive muito menos vontade de ser mãe, sendo que este sentimentos maternal têm-se intensificado.

A coisa é tão grave que tenho uma lista mental de nomes semi-exóticos para as minhas um-dia-quem-sabe-crias. 

Pelo que parece, o meu relógio biológico quer ganhar vida. Agora, só lhe faltam os ponteiros para se acertarem as horas.



publicado às 02:07

ela

por Marina Ricardo, em 17.12.12

Sempre soube que ela não pertencia aqui - que era boa demais para este solo.

Penso sempre, secretamente, que no dia que ela sair daqui e apanhar um avião eu estou sentada ao lado dela; que ela ela for, eu vou atrás, eu vou ao lado.

 

Parabéns a ela, que é parte essencial do meu eu.

publicado às 22:17

É mesmo, mesmo isto

por Marina Ricardo, em 05.12.12

Andava eu a ler o blog do costume (o Depois dos Quinze, blog brasileiro de Bruna Vieira), quando me encontro:

 

Os que mais me impressionam são os que adivinham o meu pensamento, mesmo sem me conhecer. É indescritível a sensação de ler um texto e me identificar totalmente com as palavras do escritor. É como se ele tivesse roubado a ideia que eu ainda não havia tido mas que já existia em mim. Emocionante perceber, na medida em que meus olhos vão descendo por sobre o texto, que existe alguém que pensa exatamente como eu.
Infelizmente, a recíproca não é verdadeira. O sexo masculino, no geral, ainda se sensibiliza mais com um corpo esculpido do que com a forma que as escritoras dão às suas frases.
No dia em que eu encontrar um que se importe mais com o que eu escrevo do que com a minha embalagem, eu me caso. Desde que a proposta seja feita por escrito.
E que, por trás daquelas palavras, existam óculos em vez de músculos.

 

De Paula Pimenta. Podem ler mais aqui.

publicado às 15:17

Duas

por Marina Ricardo, em 04.12.12

Dividi-te em duas.

Passado e Mágoa.

Separei-te em duas para manter em mim a melhor parte de ti.

A essência, não o medo.

Parti-te em duas e agora não sei como te juntar.

Amor e dor, com cova ao meio. Sem ponte.

Dividi-te me duas para não te perder. Mal eu sabia que já te tinha deixado ir, mal eu sabia que te ia querer de volta.

 

publicado às 01:27

Agora sim,

por Marina Ricardo, em 19.10.12
Façam figas por mim!!!



publicado às 01:17

Crónicas noturnas sobre o estado atual...

por Marina Ricardo, em 18.10.12

Quando entramos para a universidades enchemos as bagagens de sonhos: sonhos de uma maior formação, de uma vida melhor, de um futuro risonho e de felicidade à mistura.

Porém, cedo percebemos que o curso nem sempre nos abençoa.

Comecemos por analisar um pós-licenciatura (tipo pós-parto, mas sem o bebé)  face à crise:

Depois de os nossos desgraçados pais derreterem as poupanças de uma vida na nossa formação – no meu caso não sinto que o estado português tenha feito grande sacrifício, esperamos, dois dias depois de ter o canudo (minto, o canudo custa 120 euros, por isso não o tenho. Tenho, por outro lado um certificado de 15 euros (o de 40 era demasiado caro!)) na mão arranjar emprego.

Ainda sem trabalho, semanas depois, e de certificado pomposo na mão, inscrevemos no centro de emprego. Esperamos que lá nos ajudem, e não nos transformem em mais um número do desemprego.

Desenganamo-nos quase logo: emprego não há, e cursos para licenciados acabaram, “pena não ter ficado só com o 12º”. Meses decorridos, percebemos que aquele lugar apinhado devia mudar de nome: Trocar o emprego pelo desemprego, uma vez que “centro de Desemprego” que serviria muito melhor.

Por outro lado, como não trabalhamos – nem agora, nem antes, não somos abrangidos por nenhum tipo de subsídio.

Aqueles dinheiros que a tanto sacrifício guardamos de todos os trabalhitos que fizemos enquanto estudantes, acabam enquanto o diabo esfrega um olho – e puf, foram-se.

Começamos a conciliar os pedidos de emprego na nossa área com os part-times nos supermercados e lojas.

Mas, para aí temos demasiada formação. Ora se até aí no faltava o requisito “experiência comprovada e superior a dois anos”, agora somos “demasiado estudados” para servir às mesas.

Pressionados pela necessidade de vida própria de autossustento, o dito cujo dinheiro, começa a fazer falta. Mas, não há raio de situo onde o passamos ir buscar, fazer de volta.

Procuramos e procuramos. Fazemos projetos, apresentamos auto-candidaturas e respondemos a anúncios, E Nada. Nada a mais, dignidade e autoestima a menos.

Pensamos em mentir no currículo, e nas entrevistas se tivermos a sorte de sermos chamados. Dizer que temos mais experiência para uns, afirmar a pés juntos que nunca entramos numa universidade para outros. Mas, os nossos pais não nos ensinaram a não mentir?

E assim o nosso país – um dia terra prometida, nos deixa abandonados e nos rouba, nos rouba a dignidade e raça que trabalhamos anos a fio para conseguir. Nos rouba os sonhos e tenta impingir-nos outros que não são nossos. O país que os nossos pais contribuíram – e contribuem, para formar, nos manda para fora….

Um dia, um dia passo-me da cabeça, faço as malas, vou embora e passo a chamar meu país a outro. Afinal papel e caneta há em todo o lado, não é?

 

publicado às 02:17

Tinta-da-china

por Marina Ricardo, em 04.10.12

Tracei o meu caminho a tinta-da-china.

Preto, traço fino, linha constante. Sem esborrar.

Estendi a folha de papel imaculado à doce brisa, oh suave sopro.

Deixei-a lá fora, minha vida na linha preta de tinta-da-china, esperando vê-la seca e duradoura na manhã seguinte.

Mas, o vento, forte da noite fria, borrou a tinta, deixando a linha tão cuidadamente pintada, transformada em borrão negro.

Imprecisão feita de simplicidade. Confusão feita de rotina.

Agora, o caminho certeiro é viagem indefinida, ser rumo, sem destino.

Os sérios e perfeitos com quem me cruzava foram-se com o vento que levou parte da tinta. São os loucos, os que procuram o seu destino, é por esses que estou rodeada. E é aí que estou completa dentro do furacão que a vendaval trouxe e não mais levou.

 

publicado às 01:17

Verdades #50

por Marina Ricardo, em 02.10.12

publicado às 22:37


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