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Rais'partam, pá...!

por Marina Ricardo, em 27.07.15

Concorri a um concurso de escrita. Ganhei.

Em vez do prémio publicitado a "editora" pediu-me no mínimo 125€ para publicarem o meu texto (com cerca de uma página A4) e para o venderem o seu site (os lucros não seriam meus. A não ser que vendesse 200 unidades. Aí pagavam-me com 40 unidades do meu próprio texto. AH, e, se a coisa corresse bem, quando eu lhes transferisse os 125€ até me enviam 20 textos (meus) para que eu os vendesse e assim ficava tudo pago.)..

Depois, como respondi que não eram esses os prémios publicitados pela editora e que em momento algum se haviam  referido ao pagamento de quantias parvas para uma publicação online e pseudo venda de um texto meu ao público, responderam-me de forma rude, e citando:

"A literatura também se rege com a lei de oferta e da procura. Escolhemos 10 autores, não temos qualquer garantia de venda. Que fazemos? Publicamos e passamos fome ou não publicamos? A Marina no seu trabalho não considera trabalhar gratuitamente, penso. Obrigado e lamento que alguns autores pensem que a arte tem de ser gratuita".

Olha só que ideia a minha! Ganhar um concurso e não querer pagar! Os senhores até estavam dispostos a dar-me 20 textos meus para que eu os vendesse porta-a-porta (o que é estupido, se eu quisesse vender um texto meu bastava eu imprimi-lo em casa e era-me mais fácil...). E, té me ofereciam 40 obras (minhas) por cada 200 obras minhas vendidas como forma de pagamento.

Como se 220 pessoas fossem comprar um texto dentro de um frasco por quase dez euros.

Respondi:

Não quero de modo algum que os senhores passem fome, mas também não comerão alimentando-se do meu sonho.

Se os senhores não consideram trabalhar gratuitamente, eu não tenciono pagar para trabalhar.

 E, também lamento que os artistas paguem desta forma pela sua arte.

Rais'partam, pá...!

 

(A todos os que perguntaram, e para ninguém cair no conto do vigário, o nome da "editora" é Artelogy. Não paguem para escrever. A escrita é livre. Não deixem os vossos sonhos serem burlados.)

publicado às 23:00


4 comentários

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De viviane silva a 29.09.2016 às 14:20

Alguém conheço a Ego Editora? Vi um concurso similar que fizeram, mas mandei mensagem a perguntar e nem sequer me responderam, também não devem ser de confiança...
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De Marina Ricardo a 29.09.2016 às 14:29

O site deles não é muito explicito... O que não ajuda muito...
Não se encontram muitas criticas...
É uma questão de insistir no email. Pode ser que respondam (se não responderem já nos leva a acreditar noutros cenários...)
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De Myself a 04.10.2016 às 14:41

Ando há algum tempo a tentar desfiar este mundo dos livros e chego à conclusão que é uma tarefa inglória. Já encontrei de tudo, desde um roubo que ascendeu a 3 mil euros por parte de uma pseudo-editora (por favor não caiam na mesma asneira), até às dificuldades em fazer circular o livro no mercado de distribuição, etc. A única coisa de positiva que retirei desta experiência é a de que vale a pena fazer edição de autor. Já que é para pagar, então que seja eu a controlar o processo todo.
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De M a 17.05.2017 às 16:10

Uma edição de autor fica mais caro (mesmo print on demand) do que publicar pela Artelogy (grupo Corpos). Mas é uma boa alternativa caso acreditem que vão vender muitos exemplares. Na Artelogy vão gastar, em média (creio), uns cento e tal euros e recebem esse valor em exemplares do vosso livro. Em comparação com outras que cobram não é nada. Publicar sem custos (para o autor) é muito difícil.

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