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Fátima, futebol e fado - sempre

por Marina Ricardo, em 12.05.21

São 4:30h. Cheguei à pouco do trabalho. Exausta.

Estou sentada no sofá, a procurar o sono e a beber um galão. E, estou completamente abismada com o que se está nas principais avenidas lisboetas. 

A falta de noção deste país e fado, futebol e Fátima é abismal...

publicado às 04:24

por Marina Ricardo, em 26.07.20

É preciso perceber que eu não ser preta não invalida que lute contra o racismo.
O eu não ser mulher, não invalida que me junte a elas na luta pela igualdade.
O eu não ser refugiada, não invalida que eu tome uma posição quanto a discriminação e precaridade a que são sujeitos.
O eu não ser homossexual não invalida que fale quando vejo alguém a ser alvo de chacota.
O "eu não ser" não diz nada. Não prova NADA. Mas, mostra muito sobre mim.
Na casa dos outros vejo a minha.
E, quando o tempo chegar, e o medo me bater à porta quero que outros se unam a mim. Porque juntos é mais fácil. É mais forte.
O que está a acontecer no mundo (não só nos EUA. É aqui, em nossa casa),não é só um caso de racismo. Não é só um caso de violência policial. Não é só um caso de abuso de poder. Não é só um caso de supremacia ou de privilégio branco. Não é só um caso. Nunca é um "só".
O mundo evoluiu assim. Com muitos alicerces montados nestas ideias.
Todos nós, por ignorância, por desconhecimento, fomos preconceituosos, em alguma altura do nossa vida. Temos pré conceitos enraizados. Com que crescemos. É nosso dever, como cidadãos, e como pessoas, pegar nestas ideias datadas, disseca-las, escurtina-las, percebe-las e não as perpetuar.
A diversidade do mundo só fortalece a sociedade. Só nos torna melhores. Pessoas com história.
Não se deixem enganar por pequenos ditadores que vivem em mundos encolhidos e bonitinhos que nos dizem que o nosso país não tão atrasado como os outros. Tão sexista, misógino, descriminatório ou racista como os outros.
É. E, está nas nossas mãos, nas nossas bocas e pensamentos que o deixe de ser.

publicado às 23:33

Humano

por Marina Ricardo, em 07.06.20

É cada vez mais assustador ver pessoas com opiniões perigosas a serem postas em posições de poder. Ver como lhes é oferecida, de bandeja, uma plataforma para divulgarem a sua ignorância e ódio.
Abrirmos estas portas é irreversível, porque um preconceito dito muitas vezes às pessoas 'certas' permite uma crença cega.
É essencial a informação. A preocupação em querer saber. Votar. Ver notícias. Ler notícias.
Ser cidadão. Ser humano.

publicado às 02:55

Super Bowl

por Marina Ricardo, em 03.02.20

Numa altura tão complexa no que a movimentação, mobilidade e procura de melhores oportunidades noutros países diz respeito não posso deixar de amar o half time do super bowl.
Mulheres latinas no palco, a cantar em espalhol, bandeira de Porto Rico, junto com a americana.
O mundo é de todos, e  para todos.  Não há muros que mudem isso.
Acho fascinante em como a arte responde à intransigência e soberania descontrolada de quem acha ter tudo num bolso.

 

publicado às 01:56

chega

por Marina Ricardo, em 20.02.16

Não sei nada sobre a vida. Aliás, há dias em que tenho perfeita noção de que nada sei sobre o mundo em que habito.

Mas, conheço muitas pessoas. Trabalho com e para muitas pessoas.

Sei muito pouco sobre psicologia. Mas, sou mulher. E oiço muitas mulheres. Com quem trabalho, gosto de ler sobre elas, vivo com elas.

Conheço o suficiente sobre o desespero para perceber que a dor às vezes é tão alta e domadora que nos toma por completo. Que a mágoa é tão madrasta que nos torna nela e não em nós. Que o medo vai matando e que na impossibilidade de o matar, temos vontade de morrer.

Não sei nada da vida, mas sei demasiado sobre violência. Sobre desigualdade. Sobre injustiça. Sei demasiadas estórias que não chegam a história porque as protagonistas morrem nas mãos de monstros. Ou então, deixam-se matar e tornam-se no que não são.

Não sei o que passa na cabeça de uma mãe que leva os filhos para morte. Nem tão pouco sei a dose de desamor que tem alguém que quer por termo à vida.

Mas, sei que já chega de passividade. Chega de violência e destruição do outro. Chega de fecharmos os olhos e só os abrimos quando é tarde demais.

publicado às 23:57

somos umas bestas

por Marina Ricardo, em 14.09.15

Vivemos num mundo horrível.

Roubamos, matamos e queremos mal uns aos outros.

Não ajudamos os outros. Aliás, somos contra quem ajuda. Usamos o facebook para dizer mal, para sermos reles, hipócritas, para negarmos os nossos telhados de vidro enquanto os expomos ao carregar no botão “publicar”.

Somos umas bestas. Somos tão bestas que condenamos todos com as nossas atitudes de bestas.

A Hungria fechou hoje as fronteiras. Fechou as fronteiras com arame farpado. Com polícia, com cães. Com merdas e idealismos. Com a barriga cheia de poder e arame.

O mundo, o resto do mundo, acha normal. Acha normal ou aplaude. Ou então até nem concorda, mas encolhe os ombros.

Não vemos ninguém a morrer à fome, não vemos o sacrifício de quem foge da guerra, da miséria. Achamos mal virem para a Europa. Que raio, vão lá para a terra deles.

Achamos tudo mal. Aliás, já vi emigrantes – que saíram do pais (onde que se saiba não há guerra) virem para as rede sociais serem contra os que fogem dos seus países, onde todos os dias acordar sem uma bomba ou com balas na cabeça é uma bênção.

Somos umas bestas. Somos tão bestas que condenamos todos com as nossas atitudes de bestas.

Somos tão bestas que fizemos do mundo um lugar horrível para se viver.

 

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publicado às 20:00

O jornalismo sensacionalista

por Marina Ricardo, em 13.03.15

Às vezes tenho pena do jornalismo em Portugal (minto, tenho muitas vezes - ok, tenho quase sempre pena do jornalismo em Portugal).

Tenho pena. O jornalismo de Portugal é mauzinho... Andei anos a estudar para saber fazer bom jornalismo, e agora chego cá fora e vejo afinal estudei a coisa de forma errada.

Na maior parte das vezes as coisas são mal apresentadas ao público. Ou, reformulado, as coisas são apresentadas da forma que as tornar mais rentáveis para a publicação ou canal que as apresenta.

O jornalismo pode ser uma atividade estupidamente mal paga, mas também é uma das que move mais dinheiro.

Em Portugal é estupidamente fácil controlar a opinião pública por isto mesmo: temos opiniões em massa, ideias erradas e pensamentos dúbios à conta desse jornalismo de pasquim, a esse sensacionalismo desmedido.

O caso da pilula Yasmin é isso mesmo: uma coisinha muito mal contada, ou, contada de forma o organismo que a difunde quer.

Se acho que é grave? Até pode ser. Se há um erro na produção da pilula, se há ali alguma coisa de errado com as doses dos componentes. Se tem efeitos nocivos mais imediatos do que as suas semelhantes.

Mas, também cada pessoa é uma pessoa. Há gente cujo corpo reage mal a certas substâncias.

Há países que já suspenderam a venda da Yasmin (a França, por exemplo). E, conheço médicos que já não a prescrevem (o que nem faz mal porque as farmácias vendem-na na mesma).

Pode não haver nada de errado com a Yasmin. Ou pode estar tudo errado com a Yasmin.

Alguém tem que analisar o caso com seriedade. Alguém tem que esquecer os benefícios de se ter uma grande farmacêutica do seu lado e estudar.  Examinar. (Atrevo-me a dizer que se não estivéssemos a falar de uma grande farmacêutica algumas coisas seriam diferentes).

Claro que todas as mulheres sabem os malefícios, ou possíveis malefícios da pilula. Mas, também não acho muito justo que todas nós nos sintamos, no exagero, no cimo de um penhasco depois de a tomarmos; morro hoje, ou posso morrer amanhã.

Na maior parte das vezes, a pilula é receitada sem a mínima análise da paciente. Há milhentas pilulas. Há milhentas quadridentes de hormonas diferentes em cada uma delas. Existem para poderem responder às necessidades das mulheres. Mas, raramente sabemos se aquela é a certa ou não.

Está na altura de termos mais responsabilidade. Os médicos, as farmacêuticas, as farmácias, e nós, mulheres, acima de tudo.

Dispenso o jornalismo sensacionalista, que quer criar pânico. Quero informação fidedigna. Quero informação que me seja útil. Quero que me digam as informações verdadeiras e comprovadas e não que me deem opiniões que devo seguir. Posso continuar a sonhar, não posso?

publicado às 19:17


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