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Trambolhões

por Marina Ricardo, em 23.11.20

Os dias passam, tropeço neles e continuo a correr. Aos trambolhões, de má cara, peito aberto, braços estendidos.
Fujo das letras, com tanta pressa como com a que fujo do que sinto.
E avanço. Nunca sei onde vou. Nunca paro pelo caminho.

publicado às 00:10

imaculadamente branca

por Marina Ricardo, em 04.11.20

Não te quero chamar pelo nome, Essa intimidade dar-nos-ia confiança aos dois. De eu te conhecer e tu me achares tua.

Não tomemos a liberdade de darmos esse derradeiro passo em frente.

Se te cair nos braços, não mais me volto a erguer. Estamos ambos cientes disso.

Deixa-me fingir que não te sinto o aroma, o sabor salgado a mar, na boca. Que não me apertas o coração quando te penso. Que me entorpeces a mente quando te pressinto.

Deixa-me continuar a fingir, que não te tenho a respirar-me no pescoço, que não te guardo no bolso da camisa, imaculadamente branca. Que não te sinto, medo.

publicado às 01:38

A aventura começa em breve. Embarco?

por Marina Ricardo, em 22.10.20

A rotina e os lugares comuns fogem-me por entre os dedos esguios. Caem-me do colo, desarrumam-me a cabeça e abanam-me o coração.

Esqueci-me do conforto há muito, bicho inquieto. 

Nunca fico aqui muito tempo...

publicado às 00:34

ninho de pensamentos

por Marina Ricardo, em 09.08.20

Viajo para fugir de mim.

Das ideias que tropeçam e se misturam num emaranhado de invenções confusas. Do coração que falha batidas por estar desassossegado por alguma coisa que nunca descubro o que é. Do dia-a-dia que me engole e consome.

Viajo para me esquecer. Para ser só eu. Sem conhecidos e obrigações. Sem planos e sem horas. E, para algures na viagem de retorno me encontrar diferente.

Dou tudo de mim aos meus destinos, para vir cheia de mim nos meus regressos. Mais vazia e mais cheia de mundo.

Viajo sempre para me perder porque sei que no reencontro serei uma versão melhorada.

Nunca descanso nas férias. Porque não sei parar. Porque se pensar muito em todo o que me rodeia, não quero nada a rodear-me.

Preciso sempre de sair. Para voltar cheia de tudo o que me dá alento para ficar. Até voltar a sair.

 

publicado às 23:40

jantar

por Marina Ricardo, em 03.08.20

Não tenho fé, nem freio, nem casa, nem pousio.
Nem cor, nem música, nem cheiro.
Não tenho calma, nem cama, nem regaço para poder descansar.
Não tenho fama, nem fome, nem medo.
Nem arma, nem alma, desalmada, sigo sempre.
Não tenho dono, nem fim. Sou senhoria de coisa nenhuma, possuidora de nada.
Não me esperes. Não sei quando vou chegar. Sou capaz de assim, inquieta e despojada, me deixar perder pelo caminho.
Não ponham lugar para mim a mesa. Hoje não janto.

publicado às 23:22

Carta de amor à minha alma.

por Marina Ricardo, em 18.05.20

Amor, andei até aqui. Às vezes vim a correr de entusiamo por tanto me querer acercar de ti, outras paralisaram-me os pés por que me esqueci por que vinha.

Parou-me o corpo, muitas vezes, mas, o amor seguiu sempre apressado de por isso vim sempre andando.

Nunca deixes de me esperar. Vou a voar para o teu regaço, mal a cabeça me sai das nuvens e os pés do chumbo que às vezes lá floresce.

Não chores. Guarda as lágrimas para nos chorarmos quando nos tivermos nos braços.

Amor, a minha cabeça perdeu-se por outras ruas. Mas, o meu coração sempre soube o caminho. Daqui a nada volto a casa.

Vou chegar atrasada. Não me esperes para o jantar. Espera-me para viver.

publicado às 22:11

Ponto da situação

por Marina Ricardo, em 03.05.20

Trabalhei com uma folga semanal durante um mês.
Perdi a conta as horas de trabalho diárias porque na verdade deixei de contar. Assim como já não conto as desinfeções e as lavagens das mãos.
Já não reparo do desconforto da máscara ou da viseira, nem tão pouco me incomodam os óculos de vidros embaciados.
Sinto-me muito cansada. E ligeiramente descrente por não ver a contenção e confinamento que me vende a televisão.
Todos os dias lido com caos, confusão, exagero, falta de cuidado (outras tantas faltas de respeito).
Estive esta semana em casa. A gozar folgas em atraso. E, continuo muito cansada. E, sinto que este cansaço não me vai sair do corpo durante muito tempo.

publicado às 02:22

dia a dia

por Marina Ricardo, em 14.04.20

Entro no carro. Ponho a chave na ignição. Um pedal, uma mudança. Respiro longamente. Uns dias mais fundo do que outros.
Ligo o rádio. Aumento o volume, até não haver mais volume para aumentar.
Abro o vidro do carro, enquanto faço inversão de marcha.
Certifico-me que o volume do rádio está no máximo. Está sempre.
Não importa a música. Vou sempre cantar demasiado alto. Até me doer a cabeça e a garganta.
Até os outros condutores me olharem de lado.
Sigo para casa.

E, durante aqueles pouco mais de três minutos finjo que está tudo bem. Que este não é só mais um dia riscado do calendário.
E, de súbito, dia depois de dia,
estes tornaram-se os únicos três minutos diários de normalidade que tenho.

publicado às 01:15

mundo

por Marina Ricardo, em 22.03.20

- Não te preocupes - disse-lhe ela baixinho. - Também esperaste por mim quando desisti. Vou esperar por ti quando te sentires pronto para voltar.

publicado às 20:57

lá chegar

por Marina Ricardo, em 17.03.20

 

Há uma semana regressava de Londres inconscientemente feliz

Tinha tido cuidados. Levava um gel desinfetante, e não vi um único frasco de álcool por lá. Haviam transeuntes com máscara, mas no total de quatro dias cruzamo-nos com não mais de cinco ou seis.

Ninguém parecia estar muito preocupado, por isso nós também não.

Aterramos no Porto, e ficamos só confusos porque embora tudo estivesse demasiado calmo, não havia o mínimo de cuidado. 

A situação foi piorando. No trabalho instalou-se o caos.

Nunca tinha visto tamanho desespero associado a loucura  e inconsciência.

Estávamos exaustos e na vez de nos protegermos, fizemos todos demasiadas horas de trabalho.

Nunca, em altura alguma tivemos tantos artigos esgotados. Também nunca nos sentimos tão inseguros e duvidosos na vida.

Neste momento estou em casa. Eu e metade da equipa. Daqui a duas semanas trocamos.

Não tenho sintomas, mas estou cheia de alergias e ligeiramente entupida (já fui assim para londres). Não sei nada.

Não sei para onde vamos. Não sei onde vamos parar. Como parar.

Estamos a viver, pela primeira vez um episódio que estará nos livros de história dos nossos filhos. Caso, um dia consigamos lá chegar.

publicado às 20:04


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