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Verdade

por Marina Ricardo, em 03.11.22

 

Só não escrevi o que não quis sentir.

publicado às 00:50

Principalmente

por Marina Ricardo, em 05.09.22

Tenho deixado a paixão morrer. Nos espaços vazios tenho posto sonhos novos, aldrabados e irreais.
Convenço-me que a minha paixão pode arrefecer. Que um dia a deixo em lume brando, ao fogão. Que não queima, não evapora.
Tenho deixado a paixão definhar e, com ela moribunda no regaço, sorrio e teimo em dizer que a tenho no bolso quente, amada e estanque.
Finjo acreditar que a adrenalina de estar vivo volta. Que a paixão também.
Tenho mentido muito. Aos outros. Principalmente a mim.

publicado às 09:10

Noite de verão. Alentejo. 2022

por Marina Ricardo, em 15.08.22

Desfruto o silêncio com a mesma devoção e amor com que procuro preenchê-lo.
Rejubilo e enlouqueço nas noites quentes e caladas em que, horizonte escuro como breu, espero que ninguém note que, aqui sozinha, não passo de mais uma pessoa só e calada, assustada e fascinada com o silêncio que aqui se faz.

publicado às 01:50

perguntou ele #18

por Marina Ricardo, em 10.06.22

- Mas, vais ficar aí muito tempo? - perguntou ele.
Tinha o telefone em altifalante. Estava a pintar as unhas. Escuro. Sempre de escuro.
Olha em redor. As palavras dele ainda ecoam no quarto pequeno e pouco decorado.
Os seus olhos pousam por momentos nas duas plantas, estranhamente felizes e verdes, pousadas sobre um monte de livros por arrumar, ao lado da janela ainda aberta.
Pinta a unha do dedo mindinho com alguma surpreendente previsão enquanto respira fundo.
- Comprei duas plantas no domingo passado.
A frase respondia à pergunta. Achava ela.
- Não precisas de mentir - não era uma acusação. Mas, fe-la pensar que ele, decerto, não tinha percebido a resposta.
- Não estou a mentir. Comprei mesmo duas plantas - faz uma pausa para fechar o frasco pequenino de verniz - e, sabes que tenho que ir até ao fim. Onde quer que isso seja. Estou a aprender a confiar no processo... O que quer que isso seja.
Ele respirou fundo.
- Ok. Amanhã ligo-te.
Desligou sem esperar que ela lhe dissesse mais alguma coisa.
Ele não ligou. Ela não esperava que ele o fizesse. E estava tudo bem. Fazia parte do caminho. E, agora ela confiava no processo - o que quer que isso fosse.

publicado às 01:51

Oceano

por Marina Ricardo, em 29.05.22

A felicidade, descobriu, nunca ia ser um estado permanente. Não havia feliz para sempre, nem sempre feliz.
A felicidade vem em ondas; às vezes passamos por elas, outras mergulhamos, outras caímos nelas e a água entra-nos pelo nariz - e ninguém é feliz com água, mesmo que água feliz, a entrar pelo nariz (rima e é verdade).
A felicidade mais do que um estado, era uma interpretação de uma aula de surf que ela nunca teve - surf sem prancha num mar sempre cheio de ondas.

publicado às 01:19

pressa

por Marina Ricardo, em 20.04.22

Não tenho estado em lado nenhum.

Vou, mas, fico sempre.

A cabeça pensa devagar para o coração não chegar a sentir nada demasiado depressa.

publicado às 15:29

conta-me

por Marina Ricardo, em 14.04.22

Aquece-me os pés, as mãos e a alma. Finge que não vamos a lado nenhum. Faz de conta que nada conta e que, no final de contas, não temos contas para acertar.

publicado às 23:48

era capaz

por Marina Ricardo, em 17.03.22

- Estás diferente.
Não era uma pergunta.
O carro foi parando gradualmente até chegar ao semáforo vermelho.
Era capaz de me apaixonar por ti, pensei.
É verdade. Não estou nada igual.

publicado às 01:55

fosso

por Marina Ricardo, em 18.02.22

Há tantas vidas entre os dias que nos separaram.
Histórias inteiras cabem nesse fosso entre os nossos pés - e o nosso coração. Caminhos sem volta, estradas de alcatrão não de quilómetros, mas de anos luz.
Passados e futuros. Filhos e amores por nascer. Entre nós. Vidas dentro de vidas, vividas e por viver entre a vidas que vives e a vida que escolhi viver - sem ti.

publicado às 23:23

testa fria

por Marina Ricardo, em 03.02.22

São cartas de amor o que te escrevo quando me calo, nunca consentindo, e engulo as palavras que nunca havemos de viver quando te beijo a testa fria.

publicado às 23:20


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