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Ponto da situação

por Marina Ricardo, em 03.05.20

Trabalhei com uma folga semanal durante um mês.
Perdi a conta as horas de trabalho diárias porque na verdade deixei de contar. Assim como já não conto as desinfeções e as lavagens das mãos.
Já não reparo do desconforto da máscara ou da viseira, nem tão pouco me incomodam os óculos de vidros embaciados.
Sinto-me muito cansada. E ligeiramente descrente por não ver a contenção e confinamento que me vende a televisão.
Todos os dias lido com caos, confusão, exagero, falta de cuidado (outras tantas faltas de respeito).
Estive esta semana em casa. A gozar folgas em atraso. E, continuo muito cansada. E, sinto que este cansaço não me vai sair do corpo durante muito tempo.

publicado às 02:22

dia a dia

por Marina Ricardo, em 14.04.20

Entro no carro. Ponho a chave na ignição. Um pedal, uma mudança. Respiro longamente. Uns dias mais fundo do que outros.
Ligo o rádio. Aumento o volume, até não haver mais volume para aumentar.
Abro o vidro do carro, enquanto faço inversão de marcha.
Certifico-me que o volume do rádio está no máximo. Está sempre.
Não importa a música. Vou sempre cantar demasiado alto. Até me doer a cabeça e a garganta.
Até os outros condutores me olharem de lado.
Sigo para casa.

E, durante aqueles pouco mais de três minutos finjo que está tudo bem. Que este não é só mais um dia riscado do calendário.
E, de súbito, dia depois de dia,
estes tornaram-se os únicos três minutos diários de normalidade que tenho.

publicado às 01:15

Dia de folga

por Marina Ricardo, em 10.01.19

No dia em que estiver em casa e não me ligarem do trabalho, até vai parecer que estou de folga......

publicado às 16:27

Para mim

por Marina Ricardo, em 22.12.17

Trabalho num local onde, subitamente, ter opinião e personalidade se confundiu com mau feitio.

Como se verbalizar o que se pensa, trabalhar no que se acredita, ter empatia com a equipa e ser educado e compreensivo fosse ofensivo. Fraco. Mau.

É cada vez mais difícil. Para mim. Não para eles.

publicado às 19:27

Tive aumento de salário.

Tive uma reunião para me comunicarem que tinha sido aumentada.

Sou mediana. Sou má chefe. E tive uma avaliação má – avaliação essa que não tive acesso, avaliação essa que foi feita por a minha anterior avaliação (em meados de Janeiro, de Muito Bom) ser inválida (ninguém me explica o grau de invalidez da mesma).

Comunicaram-me que tinha aumento, da mesma forma que me comunicariam que tenho uma doença qualquer. Insatisfeitos, contrariados. Como se devesse ter vergonha por isso.

E, eu, exausta disto tudo, ri-me. Porque sou péssima. E porque trabalho mais de sessenta horas semanais. E porque me ligam no mínimo oito vezes depois de sair da loja, e nas folgas. Por ser culpada de tudo. Por estar sempre em stress, por estar sempre a discutir. Por estar sempre a ser descredibilizada.

Rio-me de frustração, gozo e cansaço. Rio-me de mim. Por não saber desistir.

Tive um aumento de três dígitos. E, pelos vistos tenho que me sentir envergonhada por isso. Porque sou péssima.

publicado às 16:27

Mundo sinistro #1

por Marina Ricardo, em 06.11.17

Não sei se fico mais chocada com o facto de um padre ter sido pai, ou com o facto do mesmo se chamar "Giselo".

publicado às 22:47

A minha paz termina hoje.

por Marina Ricardo, em 31.10.17

Estive uma semana de férias e já tive as duas folgas semanais.

Amanhã regresso ao trabalho.

Volto a vestir a faceta forte e a cara cansada. Volto a só falar de trabalho, a sonhar só com o trabalho.

Voltam também as discussões barulhentas e sem sentido. Os problemas estúpidos. Voltam os telefonemas de trabalho a todas as horas do dia. Volta o MRP, as rupturas, as alocações, os clientes, o absentismos, os inventários...

Amanhão volto para o trabalho que me consome.

Acaba hoje a minha paz. 

publicado às 19:57

Despedida das férias...

por Marina Ricardo, em 21.08.17

Termino hoje as férias. Regresso quarta-feira ao trabalho (amanhã estoude folga...).

Sinto-me tão eu como há muito não me sentia. Acordada. Focada. Feliz. Genuinamente feliz.

Sem estar exausta, ou a morrer de sono.

Sei que quando chegar à loja vou ter um choque qualquer de realidade e vou voltar a vestir a pele de guerreira que tenho enverado há meses. Porque sei que vou precisar dela. Porque a Marina leve que hoje vos escreve não é dura o suficiente.

Sei que esta aura de paz que criei é ténue como um nevoeiro e que pode desaparecer em breve. Mas, valeu a pena mergulhar e mergulhar dela 10 doces dias.

Pedi o medo de ler. Tenho tentado escrever. Tenho feito flores de papel. Enviado postais.

Voltei a lugares onde sou sempre feliz, voltei ao exercício. Equilibrei-me.

Tenho sido a Marina que sou, em vez da Marina que criei.

Foram umas valentes férias de mim, com regresso a mim mesma. É uma pena terem que acabar…

publicado às 23:57

Desespero é:

por Marina Ricardo, em 03.08.17

Queria mentir. Dizer que não sou uma daquelas pessoas que ainda a contar os dias para ficar de férias.

Mas, cá estou eu a contar os dias.

Minto, hoje, desde as 5:30 que, para além dos dias, também contei as horas….

publicado às 22:00

patética e conscientemente

por Marina Ricardo, em 22.07.17

Nunca andei tão enervada na vida. Sempre em ponto de ebulição. Sempre com dores de cabeça. Sempre com o corpo tenso e dorido.

Sempre de mãos tremolas e sonos atribulados. Suores. Frios e quentes. A praguejar. Sempre com vontade de gritar. E fugir.

Nunca me senti tão frustrada, tão mergulhada em revolta como hoje. E como amanha. E no dia que se lhe segue.

Sinto-me mais sozinha do que nunca. A falhar mais do que nunca. A perder mas do que nunca. Mais capaz e mais incapaz do que nunca.

Ando sempre a olhar por cima do ombro. De arma em punho.

Perdida. Acho que nunca me senti tão patética e conscientemente perdida.

publicado às 20:00


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